Marketing para advogados: como atrair clientes dentro das regras da OAB
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Neste artigo · 7 partes
Quase ninguém escolhe advogado pela placa na porta. A pessoa recebe uma notificação, é demitida, entra num inventário ou precisa abrir uma empresa. Aí pergunta para um conhecido, recebe um nome e faz o que todo mundo faz: pesquisa esse nome no Google antes de ligar.
Nesse momento ela não avalia a sua técnica processual. Ela não tem como. Ela confere se você existe, se atua naquele assunto, se o escritório é em lugar acessível e se parece alguém sério. Quem não aparece, ou aparece com um perfil abandonado, perde a conversa antes de ela começar.
O problema é que a advocacia tem as regras de publicidade mais restritivas entre as profissões liberais. Muita gente trava por medo de infração ética e acaba sem presença nenhuma. Este guia mostra como fazer marketing para advogados de verdade, dentro do que a OAB permite hoje.
Resumo rápido
- A OAB não proíbe marketing jurídico: o Provimento 205/2021 permite informar quem procura, mas veda captar quem não procurou.
- Pode: site, blog, redes sociais, WhatsApp, conteúdo jurídico e anúncios com conteúdo informativo.
- Não pode: falar de honorários, prometer resultado, ostentar, se comparar a colegas ou pagar comissão por indicação.
- Toda peça de publicidade precisa trazer o nome do advogado ou da sociedade e o número de inscrição na OAB.
- O cliente indicado pesquisa seu nome no Google: Perfil da Empresa e site com áreas de atuação confirmam a indicação.
Série completa
- Quer ir mais fundo? Veja o guia completo de marketing jurídico, com 17 guias sobre o Provimento 205, Google Ads, Instagram, cartão de visita, nome do escritório, captação de clientes e WhatsApp.
O que é marketing para advogados (e o que não é)
O próprio Conselho Federal da OAB usa o termo. O Provimento 205/2021 define marketing jurídico como a aplicação de estratégias planejadas pelos profissionais do Direito, e marketing de conteúdos jurídicos como a criação e a divulgação de conteúdo jurídico por meio de ferramentas de comunicação. Ou seja: a OAB não proíbe marketing. Ela proíbe um tipo específico de marketing.
Você está informando quem procura ou convencendo quem não procurou? A primeira coisa é permitida. A segunda, quase sempre, não.
Marketing jurídico é ser encontrado por quem já tem uma dúvida, explicar o Direito de forma clara e deixar fácil o contato. É informação.
Marketing jurídico não é captar cliente. Não é oferecer serviço para quem não pediu, anunciar preço, prometer ganho de causa ou mostrar carro importado para passar imagem de sucesso. Tudo isso pertence ao comércio, e a advocacia, pela regra da Ordem, não é atividade mercantil.
Na prática, a diferença cabe numa pergunta: você está informando quem procura ou convencendo quem não procurou? A primeira coisa é permitida. A segunda, quase sempre, não.
O que a OAB permite e o que proíbe na divulgação
A publicidade do advogado segue três normas que se somam: o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), o Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução 02/2015, artigos 39 a 47) e o Provimento 205/2021 do Conselho Federal, que é a norma específica sobre publicidade e informação da advocacia.

Um aviso importante: a OAB anunciou uma revisão do Provimento 205/2021, com foco em redes sociais, vídeos curtos, conteúdo impulsionado e uso de inteligência artificial. Até a data deste artigo, o texto novo não foi publicado e o Provimento 205/2021 segue vigente. Antes de mudar sua estratégia, confira no site da OAB se saiu versão atualizada.
O que é permitido
- Site, blog, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagem como canais de contato.
- Anúncios pagos ou impulsionamento, em meios não vedados pelo Código de Ética, com conteúdo informativo.
- Marketing de conteúdo: artigos, vídeos, lives, podcasts e palestras sobre temas jurídicos.
- Logotipo, identidade visual e fotos do escritório e da equipe.
- Informar áreas de atuação, formação, títulos acadêmicos comprovados e idiomas.
O que é proibido
- Qualquer menção, direta ou indireta, a valor de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou desconto.
- Promessa ou insinuação de resultado (“ganhe sua causa”, “indenização rápida”).
- Expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação com colegas.
- Ostentação: carro, viagem, bens de luxo usados para vender imagem de sucesso.
- Divulgar casos concretos ou lista de clientes como propaganda, e anunciar especialização que você não comprova.
- Rádio, TV e cinema, outdoor e painel luminoso, pichação em muro, mala direta e panfletagem com intuito de captação.
- Pagar para aparecer em ranking ou prêmio de “melhores advogados”.
E uma regra de identificação: toda peça de publicidade precisa trazer o seu nome (ou o da sociedade) e o número de inscrição na OAB. Isso vale para o site, o perfil e o cartão.
Isto é um resumo prático, não parecer. Em caso concreto, consulte o Tribunal de Ética e Disciplina da sua seccional.
Os canais que trazem clientes para um escritório
Perfil da Empresa no Google (Google Meu Negócio)
Quando alguém pesquisa “advogado trabalhista em Campinas”, o Google mostra primeiro um mapa com escritórios. Estar ali é publicidade passiva no sentido mais puro: você aparece para quem procurou.
| Canal | Para que serve | Cuidado com a OAB |
|---|---|---|
| Perfil da Empresa no Google | Aparecer para quem pesquisa advogado na cidade | Nome real, sem preço nem "primeira consulta grátis" |
| Site próprio | Explicar cada área de atuação com calma | Nome e OAB visíveis, sem promessa nem "o melhor" |
| Conteúdo jurídico | Responder dúvidas comuns por área | Explique a regra, não responda consulta concreta |
| WhatsApp Business | Canal de contato para quem chamou | Nada de disparo em massa para lista comprada |
| Relações profissionais | Indicação de contadores, corretores e médicos | Nunca pagar comissão por cliente indicado |
| Avaliações | Mostrar como o escritório trata clientes | Responder sem revelar o caso e sem dar nada em troca |
- Use o nome real do escritório. Não enfie palavra-chave no nome (“Advogado Trabalhista Barato Silva”), que além de ferir a regra do Google soa como captação.
- Escolha a categoria principal certa (Advogado trabalhista, Advogado de família etc.) e as secundárias que você realmente atende.
- Na descrição, informe áreas, OAB, horário e se atende on-line. Nada de preço, nada de “primeira consulta grátis”.
- Poste fotos reais da recepção e da fachada. Ajuda quem vai pela primeira vez.
Tenho um passo a passo completo do Google Meu Negócio para quem vai criar do zero.
Site próprio
É o lugar em que você explica as áreas de atuação com calma, com uma página por área. “Direito de família” não é a mesma busca que “divórcio consensual em cartório”. Cada página responde às dúvidas de quem digitou aquilo. Volto ao site mais abaixo, porque ele é a base do resto.
Conteúdo jurídico
É o canal que a OAB mais claramente autoriza. Algumas ideias que funcionam por área:
- Trabalhista: “o que conferir no termo de rescisão”, “prazo para entrar com ação”.
- Família: “como funciona a guarda compartilhada”, “divórcio em cartório: quando pode”.
- Previdenciário: “o que fazer quando o INSS nega o benefício”, explicado sem prometer concessão.
- Empresarial: “o que precisa ter num contrato social”, “quando registrar a marca”.
Formato vale o que você consegue manter: artigo no site, vídeo curto, LinkedIn ou YouTube. O cuidado é o tom. Explique a regra, não o seu caso de sucesso. E evite responder consultas concretas nos comentários: o Código de Ética veda a resposta habitual a consultas jurídicas por meio de veículos de comunicação.
WhatsApp bem configurado
O WhatsApp é canal de contato, e a OAB permite isso. Use o WhatsApp Business com nome do escritório, número da OAB no perfil, horário e mensagem de ausência objetiva.
O que não pode é o disparo em massa para lista comprada ou contatos que nunca pediram nada. Isso é captação. Deixe o botão no site e no perfil do Google e responda quem chamou.
Indicação e relações profissionais
A indicação continua sendo o caminho principal. O que muda é que hoje ela é conferida no Google. Relações com outros profissionais ajudam: contadores lidam com dúvidas societárias e tributárias, corretores com inventário e usucapião, médicos do trabalho com afastamentos.
O limite é claro: nada de pagar comissão por cliente indicado. Captar causa com intervenção de terceiros é infração prevista no Estatuto. Relacionamento profissional se constrói com palestra, artigo em parceria e troca de conhecimento, não com repasse.
Avaliações
Aqui é terreno delicado. Você não controla o que um cliente escreve no Google, mas pode cuidar de como responde: com educação, sem revelar nada do caso e sem discutir o mérito. Não ofereça nada em troca de avaliação e não use depoimentos de clientes como peça de propaganda no site. Como o entendimento varia entre seccionais, vale consultar a sua antes de pedir avaliações de forma ativa.
Leia tambémMarketing para autônomos: guia completo para conseguir clientesOnde o site entra nessa estratégia
Pense no caminho de um cliente real. Ele recebe seu nome de um cunhado, pesquisa no Google e encontra o que você deixou lá. Se encontra só um perfil de Instagram com três posts de 2023, a indicação esfria.
O site resolve quatro problemas ao mesmo tempo:
- Aparece no Google. Uma página sobre “revisão de aposentadoria” pode ser encontrada por quem digita exatamente isso. Post de Instagram raramente é.
- Confirma a indicação. Nome, OAB, endereço, áreas e formação num só lugar. É o que a pessoa procura para se sentir segura.
- É onde a OAB deixa você falar com calma. Não há limite de caracteres para explicar como funciona um inventário extrajudicial. Informação detalhada é exatamente o que o Provimento incentiva.
- Qualifica o WhatsApp. Quem chega pelo site já sabe que você atua naquela área. A conversa começa no assunto, não em “vocês fazem o quê?”.
Nos sites que eu faço para escritórios, a regra é simples: nenhuma palavra sobre preço, nenhuma promessa, nenhum “o melhor”, OAB visível em todas as páginas. O cliente não sente falta de nada disso. Ele quer saber se você entende do problema dele.
Se você ainda não tem um endereço próprio, vale entender por que o domínio próprio importa. E se quiser um caminho pronto, o Site Express monta um site para advogados já dentro das regras de publicidade da OAB, entregue em 7 dias úteis, com domínio .com.br próprio no nome do seu escritório.
Plano de 30 dias

Semana 1: base
- Crie ou revise o Perfil da Empresa no Google: nome real, categoria, horário, fotos.
- Padronize nome, OAB, endereço e telefone em todos os lugares.
- Configure o WhatsApp Business com mensagem de ausência e número da OAB.
Semana 2: site
- Defina de duas a quatro áreas principais e escreva uma página para cada.
- Escreva a página “sobre”: formação, trajetória, OAB. Sem adjetivos.
- Coloque o botão de WhatsApp e o endereço com mapa.
Semana 3: conteúdo
- Liste as dez perguntas que você mais ouve no primeiro atendimento.
- Transforme duas delas em artigos no site e em vídeos curtos.
- Releia tudo procurando promessa, preço ou comparação. Corte.
Semana 4: relações
- Mande o link do site para colegas e profissionais com quem você já troca conhecimento.
- Ofereça uma palestra gratuita sobre um tema da sua área a uma associação comercial ou sindicato. Conteúdo, não oferta de serviço.
- Confira no Google se o seu nome já leva ao site e ao perfil.
Erros comuns que afastam clientes
- Não ter nada além do Instagram. Quem recebe a indicação pesquisa e não encontra endereço, OAB nem área de atuação clara. Explico a diferença em site ou Instagram.
- Atuar em “todas as áreas”. Para o cliente, quem faz tudo não é referência em nada. Mostre as áreas em que você realmente atua.
- Linguagem de petição. “Ajuizamento de demanda revisional” não é o que a pessoa pesquisa. Escreva como ela fala.
- Copiar marketing de outros setores. Contagem regressiva, “vagas limitadas”, “consulta grátis”. Além de soar estranho, é infração ética.
- Foto de banco de imagem com martelo de juiz. Não passa confiança. Uma foto sua, real e bem iluminada, passa.
- Demorar para responder. Quem tem um problema jurídico está ansioso. Se não pode responder na hora, a mensagem de ausência precisa dizer quando responde.
Marketing jurídico bem feito é discreto por natureza: você fica fácil de encontrar e fácil de entender, e deixa o cliente decidir. Se quiser começar pela base, veja como funciona o site para advogados do Site Express.

Perguntas frequentes
Advogado pode fazer anúncio no Google e impulsionar post?
Sim. O Provimento 205/2021 permite anúncios pagos e impulsionamento em meios não vedados pelo Código de Ética. O conteúdo precisa ser informativo, sem preço, promessa de resultado ou linguagem persuasiva.
Advogado pode divulgar o valor da consulta ou dos honorários?
Não. A publicidade não pode fazer referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou desconto. O valor é tratado com o cliente, no atendimento.
Posso postar vídeos e conteúdo no Instagram e no YouTube?
Pode. Marketing de conteúdos jurídicos é expressamente previsto no Provimento 205/2021. Explique temas de forma educativa, evite casos concretos e não responda consultas específicas nos comentários.
Advogado pode pagar comissão para quem indicar clientes?
Não. Captar causas com intervenção de terceiros é infração prevista no Estatuto da Advocacia. Parcerias profissionais devem ser baseadas em troca de conhecimento, sem repasse por cliente.
O Provimento 205/2021 ainda está valendo?
Até a data deste artigo, sim. A OAB anunciou uma revisão com foco em redes sociais e inteligência artificial, mas ela só vale depois de publicada oficialmente. Confira o site da OAB antes de mudar sua estratégia.
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Witley Paulo
Construo e opero os meus próprios negócios digitais — e-commerce, produtos de informação e sistemas com IA — e escrevo aqui o que aprendo operando, não o que li em curso.
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Empreendedor digital há mais de seis anos. Escreve sobre o que usa na prática para vender pela internet: sites, tráfego, produtos digitais e IA.
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