Marketing para advogados: como atrair clientes dentro das regras da OAB

Marketing para advogados: como atrair clientes dentro das regras da OAB

11 min de leitura

Neste artigo · 7 partes
  1. O que é marketing para advogados (e o que…
  2. O que a OAB permite e o que proíbe…
  3. Os canais que trazem clientes para um escritório
  4. Onde o site entra nessa estratégia
  5. Plano de 30 dias
  6. Erros comuns que afastam clientes
  7. Perguntas frequentes

Quase ninguém escolhe advogado pela placa na porta. A pessoa recebe uma notificação, é demitida, entra num inventário ou precisa abrir uma empresa. Aí pergunta para um conhecido, recebe um nome e faz o que todo mundo faz: pesquisa esse nome no Google antes de ligar.

Nesse momento ela não avalia a sua técnica processual. Ela não tem como. Ela confere se você existe, se atua naquele assunto, se o escritório é em lugar acessível e se parece alguém sério. Quem não aparece, ou aparece com um perfil abandonado, perde a conversa antes de ela começar.

O problema é que a advocacia tem as regras de publicidade mais restritivas entre as profissões liberais. Muita gente trava por medo de infração ética e acaba sem presença nenhuma. Este guia mostra como fazer marketing para advogados de verdade, dentro do que a OAB permite hoje.

Resumo rápido

  • A OAB não proíbe marketing jurídico: o Provimento 205/2021 permite informar quem procura, mas veda captar quem não procurou.
  • Pode: site, blog, redes sociais, WhatsApp, conteúdo jurídico e anúncios com conteúdo informativo.
  • Não pode: falar de honorários, prometer resultado, ostentar, se comparar a colegas ou pagar comissão por indicação.
  • Toda peça de publicidade precisa trazer o nome do advogado ou da sociedade e o número de inscrição na OAB.
  • O cliente indicado pesquisa seu nome no Google: Perfil da Empresa e site com áreas de atuação confirmam a indicação.

Série completa

  • Quer ir mais fundo? Veja o guia completo de marketing jurídico, com 17 guias sobre o Provimento 205, Google Ads, Instagram, cartão de visita, nome do escritório, captação de clientes e WhatsApp.

O que é marketing para advogados (e o que não é)

O próprio Conselho Federal da OAB usa o termo. O Provimento 205/2021 define marketing jurídico como a aplicação de estratégias planejadas pelos profissionais do Direito, e marketing de conteúdos jurídicos como a criação e a divulgação de conteúdo jurídico por meio de ferramentas de comunicação. Ou seja: a OAB não proíbe marketing. Ela proíbe um tipo específico de marketing.

Você está informando quem procura ou convencendo quem não procurou? A primeira coisa é permitida. A segunda, quase sempre, não.

Marketing jurídico é ser encontrado por quem já tem uma dúvida, explicar o Direito de forma clara e deixar fácil o contato. É informação.

Marketing jurídico não é captar cliente. Não é oferecer serviço para quem não pediu, anunciar preço, prometer ganho de causa ou mostrar carro importado para passar imagem de sucesso. Tudo isso pertence ao comércio, e a advocacia, pela regra da Ordem, não é atividade mercantil.

Na prática, a diferença cabe numa pergunta: você está informando quem procura ou convencendo quem não procurou? A primeira coisa é permitida. A segunda, quase sempre, não.

O que a OAB permite e o que proíbe na divulgação

A publicidade do advogado segue três normas que se somam: o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), o Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução 02/2015, artigos 39 a 47) e o Provimento 205/2021 do Conselho Federal, que é a norma específica sobre publicidade e informação da advocacia.

Comparação do marketing para advogados: o que a OAB permite, como site e conteúdo, e o que proíbe, como preço e promessa
Informar quem procura é permitido. Convencer quem não procurou, quase sempre, não.

Um aviso importante: a OAB anunciou uma revisão do Provimento 205/2021, com foco em redes sociais, vídeos curtos, conteúdo impulsionado e uso de inteligência artificial. Até a data deste artigo, o texto novo não foi publicado e o Provimento 205/2021 segue vigente. Antes de mudar sua estratégia, confira no site da OAB se saiu versão atualizada.

O que é permitido

  • Site, blog, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagem como canais de contato.
  • Anúncios pagos ou impulsionamento, em meios não vedados pelo Código de Ética, com conteúdo informativo.
  • Marketing de conteúdo: artigos, vídeos, lives, podcasts e palestras sobre temas jurídicos.
  • Logotipo, identidade visual e fotos do escritório e da equipe.
  • Informar áreas de atuação, formação, títulos acadêmicos comprovados e idiomas.

O que é proibido

  • Qualquer menção, direta ou indireta, a valor de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou desconto.
  • Promessa ou insinuação de resultado (“ganhe sua causa”, “indenização rápida”).
  • Expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação com colegas.
  • Ostentação: carro, viagem, bens de luxo usados para vender imagem de sucesso.
  • Divulgar casos concretos ou lista de clientes como propaganda, e anunciar especialização que você não comprova.
  • Rádio, TV e cinema, outdoor e painel luminoso, pichação em muro, mala direta e panfletagem com intuito de captação.
  • Pagar para aparecer em ranking ou prêmio de “melhores advogados”.

E uma regra de identificação: toda peça de publicidade precisa trazer o seu nome (ou o da sociedade) e o número de inscrição na OAB. Isso vale para o site, o perfil e o cartão.

Isto é um resumo prático, não parecer. Em caso concreto, consulte o Tribunal de Ética e Disciplina da sua seccional.

Os canais que trazem clientes para um escritório

Perfil da Empresa no Google (Google Meu Negócio)

Quando alguém pesquisa “advogado trabalhista em Campinas”, o Google mostra primeiro um mapa com escritórios. Estar ali é publicidade passiva no sentido mais puro: você aparece para quem procurou.

Canais do escritório e o cuidado ético de cada um
Canal Para que serve Cuidado com a OAB
Perfil da Empresa no Google Aparecer para quem pesquisa advogado na cidade Nome real, sem preço nem "primeira consulta grátis"
Site próprio Explicar cada área de atuação com calma Nome e OAB visíveis, sem promessa nem "o melhor"
Conteúdo jurídico Responder dúvidas comuns por área Explique a regra, não responda consulta concreta
WhatsApp Business Canal de contato para quem chamou Nada de disparo em massa para lista comprada
Relações profissionais Indicação de contadores, corretores e médicos Nunca pagar comissão por cliente indicado
Avaliações Mostrar como o escritório trata clientes Responder sem revelar o caso e sem dar nada em troca
  • Use o nome real do escritório. Não enfie palavra-chave no nome (“Advogado Trabalhista Barato Silva”), que além de ferir a regra do Google soa como captação.
  • Escolha a categoria principal certa (Advogado trabalhista, Advogado de família etc.) e as secundárias que você realmente atende.
  • Na descrição, informe áreas, OAB, horário e se atende on-line. Nada de preço, nada de “primeira consulta grátis”.
  • Poste fotos reais da recepção e da fachada. Ajuda quem vai pela primeira vez.

Tenho um passo a passo completo do Google Meu Negócio para quem vai criar do zero.

Site próprio

É o lugar em que você explica as áreas de atuação com calma, com uma página por área. “Direito de família” não é a mesma busca que “divórcio consensual em cartório”. Cada página responde às dúvidas de quem digitou aquilo. Volto ao site mais abaixo, porque ele é a base do resto.

Conteúdo jurídico

É o canal que a OAB mais claramente autoriza. Algumas ideias que funcionam por área:

  • Trabalhista: “o que conferir no termo de rescisão”, “prazo para entrar com ação”.
  • Família: “como funciona a guarda compartilhada”, “divórcio em cartório: quando pode”.
  • Previdenciário: “o que fazer quando o INSS nega o benefício”, explicado sem prometer concessão.
  • Empresarial: “o que precisa ter num contrato social”, “quando registrar a marca”.

Formato vale o que você consegue manter: artigo no site, vídeo curto, LinkedIn ou YouTube. O cuidado é o tom. Explique a regra, não o seu caso de sucesso. E evite responder consultas concretas nos comentários: o Código de Ética veda a resposta habitual a consultas jurídicas por meio de veículos de comunicação.

WhatsApp bem configurado

O WhatsApp é canal de contato, e a OAB permite isso. Use o WhatsApp Business com nome do escritório, número da OAB no perfil, horário e mensagem de ausência objetiva.

O que não pode é o disparo em massa para lista comprada ou contatos que nunca pediram nada. Isso é captação. Deixe o botão no site e no perfil do Google e responda quem chamou.

Indicação e relações profissionais

A indicação continua sendo o caminho principal. O que muda é que hoje ela é conferida no Google. Relações com outros profissionais ajudam: contadores lidam com dúvidas societárias e tributárias, corretores com inventário e usucapião, médicos do trabalho com afastamentos.

O limite é claro: nada de pagar comissão por cliente indicado. Captar causa com intervenção de terceiros é infração prevista no Estatuto. Relacionamento profissional se constrói com palestra, artigo em parceria e troca de conhecimento, não com repasse.

Avaliações

Aqui é terreno delicado. Você não controla o que um cliente escreve no Google, mas pode cuidar de como responde: com educação, sem revelar nada do caso e sem discutir o mérito. Não ofereça nada em troca de avaliação e não use depoimentos de clientes como peça de propaganda no site. Como o entendimento varia entre seccionais, vale consultar a sua antes de pedir avaliações de forma ativa.

Leia tambémMarketing para autônomos: guia completo para conseguir clientes

Onde o site entra nessa estratégia

Pense no caminho de um cliente real. Ele recebe seu nome de um cunhado, pesquisa no Google e encontra o que você deixou lá. Se encontra só um perfil de Instagram com três posts de 2023, a indicação esfria.

O site resolve quatro problemas ao mesmo tempo:

  1. Aparece no Google. Uma página sobre “revisão de aposentadoria” pode ser encontrada por quem digita exatamente isso. Post de Instagram raramente é.
  2. Confirma a indicação. Nome, OAB, endereço, áreas e formação num só lugar. É o que a pessoa procura para se sentir segura.
  3. É onde a OAB deixa você falar com calma. Não há limite de caracteres para explicar como funciona um inventário extrajudicial. Informação detalhada é exatamente o que o Provimento incentiva.
  4. Qualifica o WhatsApp. Quem chega pelo site já sabe que você atua naquela área. A conversa começa no assunto, não em “vocês fazem o quê?”.

Nos sites que eu faço para escritórios, a regra é simples: nenhuma palavra sobre preço, nenhuma promessa, nenhum “o melhor”, OAB visível em todas as páginas. O cliente não sente falta de nada disso. Ele quer saber se você entende do problema dele.

Se você ainda não tem um endereço próprio, vale entender por que o domínio próprio importa. E se quiser um caminho pronto, o Site Express monta um site para advogados já dentro das regras de publicidade da OAB, entregue em 7 dias úteis, com domínio .com.br próprio no nome do seu escritório.

Plano de 30 dias

Linha do tempo do plano de 30 dias de marketing para advogados: base no Google, site, conteúdo jurídico e relações
Uma etapa por semana, sempre revisando se há promessa, preço ou comparação no que foi publicado.

Semana 1: base

  • Crie ou revise o Perfil da Empresa no Google: nome real, categoria, horário, fotos.
  • Padronize nome, OAB, endereço e telefone em todos os lugares.
  • Configure o WhatsApp Business com mensagem de ausência e número da OAB.

Semana 2: site

  • Defina de duas a quatro áreas principais e escreva uma página para cada.
  • Escreva a página “sobre”: formação, trajetória, OAB. Sem adjetivos.
  • Coloque o botão de WhatsApp e o endereço com mapa.

Semana 3: conteúdo

  • Liste as dez perguntas que você mais ouve no primeiro atendimento.
  • Transforme duas delas em artigos no site e em vídeos curtos.
  • Releia tudo procurando promessa, preço ou comparação. Corte.

Semana 4: relações

  • Mande o link do site para colegas e profissionais com quem você já troca conhecimento.
  • Ofereça uma palestra gratuita sobre um tema da sua área a uma associação comercial ou sindicato. Conteúdo, não oferta de serviço.
  • Confira no Google se o seu nome já leva ao site e ao perfil.

Erros comuns que afastam clientes

  • Não ter nada além do Instagram. Quem recebe a indicação pesquisa e não encontra endereço, OAB nem área de atuação clara. Explico a diferença em site ou Instagram.
  • Atuar em “todas as áreas”. Para o cliente, quem faz tudo não é referência em nada. Mostre as áreas em que você realmente atua.
  • Linguagem de petição. “Ajuizamento de demanda revisional” não é o que a pessoa pesquisa. Escreva como ela fala.
  • Copiar marketing de outros setores. Contagem regressiva, “vagas limitadas”, “consulta grátis”. Além de soar estranho, é infração ética.
  • Foto de banco de imagem com martelo de juiz. Não passa confiança. Uma foto sua, real e bem iluminada, passa.
  • Demorar para responder. Quem tem um problema jurídico está ansioso. Se não pode responder na hora, a mensagem de ausência precisa dizer quando responde.

Marketing jurídico bem feito é discreto por natureza: você fica fácil de encontrar e fácil de entender, e deixa o cliente decidir. Se quiser começar pela base, veja como funciona o site para advogados do Site Express.

Grade com erros comuns no marketing para advogados: só Instagram, todas as áreas, linguagem de petição e resposta demorada
A maioria desses erros some quando você fica fácil de encontrar e fácil de entender.

Perguntas frequentes

Advogado pode fazer anúncio no Google e impulsionar post?

Sim. O Provimento 205/2021 permite anúncios pagos e impulsionamento em meios não vedados pelo Código de Ética. O conteúdo precisa ser informativo, sem preço, promessa de resultado ou linguagem persuasiva.

Advogado pode divulgar o valor da consulta ou dos honorários?

Não. A publicidade não pode fazer referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou desconto. O valor é tratado com o cliente, no atendimento.

Posso postar vídeos e conteúdo no Instagram e no YouTube?

Pode. Marketing de conteúdos jurídicos é expressamente previsto no Provimento 205/2021. Explique temas de forma educativa, evite casos concretos e não responda consultas específicas nos comentários.

Advogado pode pagar comissão para quem indicar clientes?

Não. Captar causas com intervenção de terceiros é infração prevista no Estatuto da Advocacia. Parcerias profissionais devem ser baseadas em troca de conhecimento, sem repasse por cliente.

O Provimento 205/2021 ainda está valendo?

Até a data deste artigo, sim. A OAB anunciou uma revisão com foco em redes sociais e inteligência artificial, mas ela só vale depois de publicada oficialmente. Confira o site da OAB antes de mudar sua estratégia.

Compartilhar: WhatsApp LinkedIn X

Leia também

Witley Paulo

Witley Paulo

Construo e opero os meus próprios negócios digitais — e-commerce, produtos de informação e sistemas com IA — e escrevo aqui o que aprendo operando, não o que li em curso.

Falar comigo →
CompartilharWhatsAppLinkedInX
Witley Paulo
Escrito porWitley Paulo

Empreendedor digital há mais de seis anos. Escreve sobre o que usa na prática para vender pela internet: sites, tráfego, produtos digitais e IA.

Conhecer a história →

Continue lendo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *