O que médico pode postar no Instagram: guia pode × não pode (CFM 2.336)
11 min de leitura
Neste artigo · 9 partes
- O que muda com a Resolução CFM 2.336/2023 no…
- O que é obrigatório no perfil e na bio
- O que o médico pode postar no Instagram
- O que o médico não pode postar no Instagram
- Regras por formato: Reels, Stories, carrossel, live, collab e…
- Legendas: exemplos certo × errado
- Checklist: antes de publicar qualquer post
- Na dúvida, fale com a Codame e leve o…
- Perguntas frequentes
O médico pode postar no Instagram conteúdo educativo sobre saúde, a própria imagem, o ambiente de trabalho e a equipe, horários, forma de agendamento, localização e até o valor da consulta. Tudo isso está previsto na Resolução CFM 2.336/2023, que cita o Instagram entre as redes próprias do médico (art. 8º, §1º) e lista essas permissões no art. 9º.
O que o médico não pode postar: promessa ou insinuação de resultado (art. 11, XII), conteúdo sensacionalista ou autopromocional (art. 11, XVI), transmissão ao vivo de consulta ou procedimento (art. 11, VIII), paciente identificável, preço de procedimento, sorteio e propaganda de marca comercial. E o perfil precisa mostrar nome, CRM e, se for especialista, a especialidade com o número do RQE (arts. 4º e 6º). O restante deste guia detalha cada formato, com exemplos de legenda certo × errado e um checklist para usar antes de publicar.
Resumo rápido
- Médico pode postar conteúdo educativo, a própria imagem, equipe, ambiente de trabalho e informações de agendamento.
- Pode divulgar o valor da consulta e as formas de pagamento; o preço de procedimento não.
- Não pode prometer resultado, ser sensacionalista, transmitir consulta ao vivo ou mostrar paciente reconhecível.
- A bio precisa ter nome, MÉDICO(A), CRM e, se especialista, a especialidade com RQE.
- Stories, perfis mistos e reposts seguem as mesmas regras da Resolução CFM 2.336/2023.
O que muda com a Resolução CFM 2.336/2023 no Instagram
A resolução entrou em vigor em março de 2024 e substituiu as regras antigas de publicidade médica. A mudança mais sentida no Instagram é de postura: a norma deixa claro que o médico pode usar as redes para formar, manter e ampliar clientela (art. 8º, §2º, e art. 13, III). Divulgar o consultório deixou de ser tabu. O que continua vetado é fazer isso com sensacionalismo, promessa ou exposição de paciente.
Ao compartilhar post de paciente ou de terceiro, ele passa a ser considerado publicação do médico.
Três pontos da resolução valem para todo post:
- Stories contam. Conteúdo temporário segue as mesmas regras do feed (art. 6º).
- Perfil misto também conta. Se você mistura vida pessoal e profissional na mesma conta, a regra vale para ela inteira (art. 6º).
- Repost vira publicação sua. Ao compartilhar post de paciente ou de terceiro, ele passa a ser considerado publicação do médico (art. 8º).
Além disso, o art. 2º obriga a seguir também o Manual de Publicidade Médica do CFM, que detalha vários limites citados abaixo.
O que é obrigatório no perfil e na bio
Antes de pensar em post, arrume o perfil. O art. 4º exige em toda peça publicitária o nome do médico, o número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, se especialista, a especialidade com o número do RQE. No Instagram, o art. 6º diz que esses dados ficam na página principal do perfil, ou seja, na bio.
Se você tem pós-graduação sem RQE, a regra é outra: pode divulgar o curso (se cadastrado no CRM), mas no formato “MÉDICO(A) com pós-graduação em (área)”, seguido de NÃO ESPECIALISTA em caixa alta (art. 13, §1º, d).
Exemplos de bio:
- Certo: “Dra. Ana Souza | MÉDICA | CRM-SP 000000 | Dermatologia RQE 00000 | Consultório em Campinas”.
- Certo (sem RQE): “Dr. Paulo Lima | MÉDICO | CRM-MG 000000 | Pós-graduação em Nutrologia | NÃO ESPECIALISTA”.
- Errado: “Especialista em emagrecimento | A melhor dermato da cidade” (sem CRM, sem RQE e com superlativo, vedado pelo art. 11, XIII e pelo §3º do art. 11).
Para clínicas, o perfil da pessoa jurídica também segue a resolução (art. 6º) e deve mostrar o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com o CRM (art. 5º).
O que o médico pode postar no Instagram
O art. 9º da resolução funciona como uma lista de permissões. Traduzida para o Instagram, ela fica assim:

- Conteúdo educativo sobre doenças, sinais, sintomas, prevenção e procedimentos, em linguagem acessível.
- Sua própria imagem, inclusive selfie, desde que sem sensacionalismo ou concorrência desleal (art. 8º, III).
- Ambiente de trabalho, equipe clínica e auxiliares (art. 9º, I): bastidores, recepção, apresentação da equipe.
- Equipamentos, com as informações e indicações conforme aprovado pela Anvisa (art. 9º, II e IX).
- Como marcar consulta, horários e funcionamento (art. 9º, IV), além de estacionamento, segurança e localização (art. 9º, V).
- Valor da consulta e formas de pagamento (art. 9º, VI). Descontos em campanhas promocionais também são permitidos, sem vínculo com venda casada ou premiação (art. 9º, VIII).
- Resultados comprováveis de tratamentos, sem identificar pacientes (art. 9º, XVI). Antes e depois só no formato educativo do art. 14, que tem regras próprias explicadas no artigo médico pode postar antes e depois.
- Cursos educativos para leigos, sem consulta nem diagnóstico (art. 9º, XII).
- Comentário genérico sobre o prazer no trabalho e a alegria em receber pacientes, sem identificar ninguém (art. 9º, XV).
- Críticas às condições de trabalho, sem tom ofensivo (art. 9º, XVII).
Impulsionar posts também está dentro das regras: o art. 13, II garante o direito de comprar espaço em veículos de comunicação para fazer publicidade. A norma não cita o impulsionamento do Instagram por nome, então a leitura mais segura é aplicar ao post impulsionado exatamente as mesmas regras de conteúdo do post comum.
Leia tambémMarketing para autônomos: guia completo para conseguir clientesO que o médico não pode postar no Instagram
As vedações estão concentradas no art. 11 e no Código de Ética Médica. As que mais aparecem no Instagram:
| Tema | Pode | Não pode |
|---|---|---|
| Bio | Nome, MÉDICO(A), CRM e RQE | Especialista sem RQE ou superlativo |
| Preço | Valor da consulta e formas de pagamento | Preço de procedimento e consulta grátis |
| Imagem própria | Selfie, equipe e ambiente de trabalho | Tom sensacionalista ou autopromocional |
| Paciente | Imagem anônima, educativa e autorizada | Paciente reconhecível, mesmo autorizado |
| Resultados | Resultados comprováveis sem identificar | Garantir, prometer ou insinuar resultado |
| Ao vivo | Live educativa | Consulta ou procedimento em tempo real |
| Promoções | Desconto em campanha promocional | Sorteio, brinde, venda casada e publi |
- Garantir, prometer ou insinuar bons resultados (art. 11, XII). Vale para legenda, texto na imagem e trilha “motivacional” que sugira resultado certo.
- Sensacionalismo e autopromoção (art. 11, XVI e §2º): enaltecer a própria atuação, causar medo ou pânico, usar imagens sedutoras que sugiram garantia.
- Superlativos e rankings: listas do tipo “melhor médico” ou “médico do ano” com foco promocional (art. 11, XIII) e referências a si próprio que confiram propriedades privilegiadas (art. 11, §3º).
- Consulta ou procedimento ao vivo (art. 11, VIII).
- Paciente reconhecível: o art. 75 do Código de Ética Médica veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis, mesmo com autorização.
- Preço de procedimento: o comentário oficial ao art. 9º, VII veda a publicização desses valores. Consulta pode; procedimento não. Mais detalhes em médico pode divulgar valor da consulta.
- Consulta grátis em consultório privado (art. 11, §4º, c).
- Propaganda de empresa comercial valendo-se da profissão (art. 115 do CEM) e anúncio de marcas comerciais e fabricantes de insumos (art. 9º, XVIII).
- Equipamento ou medicamento sem registro na Anvisa (art. 11, III).
- Consultoria que substitua a consulta, fora das regras da telemedicina (art. 11, XI).
Dois pontos são interpretação, não texto expresso. Sorteios e brindes: a norma veda promoções vinculadas a “premiações”, então a leitura mais segura é não fazer. “Publi” de suplemento, skincare ou similar: pelo art. 115 do CEM, trate como vedada.
Regras por formato: Reels, Stories, carrossel, live, collab e trends
A resolução não fala em “Reels” ou “carrossel”. Ela vale para qualquer conteúdo. Mesmo assim, cada formato tem armadilhas próprias.

Reels
Ótimo para explicações curtas. Cuidado com áudio em alta que sugira transformação (“glow up”, “antes e depois”) e com cortes que mostrem paciente, mesmo de costas, em situação que permita reconhecê-lo.
Stories
Seguem as mesmas regras do feed (art. 6º). O risco comum é o repost de story de paciente elogiando o atendimento. O Manual considera repostagem reiterada aquela que ocorre mais de duas vezes por semestre, e o art. 14, II, g exige que esses conteúdos sejam sóbrios, sem adjetivos de superioridade. Veja o artigo sobre depoimento de paciente.
Carrossel
É o formato natural do antes e depois educativo, que exige conjunto de imagens com indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações (art. 14, II, b).
Live
Transmitir consulta ou procedimento em tempo real é vedado (art. 11, VIII). Uma live educativa, conversando sobre um tema, não aparece nessa vedação. Na leitura mais segura, não analise caso individual de quem pergunta nos comentários, para não virar consulta.
Collab e trends
O post em collab aparece no seu perfil. A leitura mais segura é tratá-lo como publicação sua, na mesma lógica do art. 8º. Trends e memes são permitidos quando não ridicularizam pacientes, não expõem casos e não prometem resultado.
Legendas: exemplos certo × errado
Boa parte das infrações está no texto, não na imagem. Compare:
- Errado: “Resultado garantido em 30 dias!” Certo: “O tempo de resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa. Na consulta, avaliamos o seu caso.”
- Errado: “Sou o único na cidade que faz essa técnica.” Certo: “Explico aqui como funciona essa técnica, para quem ela é indicada e quais são os riscos.”
- Errado: “Olha a felicidade da Maria depois do procedimento!” Certo: “Fico feliz em receber cada paciente no consultório.” (art. 9º, XV)
- Errado: “Consulta grátis para os 10 primeiros.” Certo: “Consulta particular: valor e formas de pagamento no link da bio.” (art. 9º, VI)
- Errado: “Se você tem esse sintoma, pode ser câncer. Corra!” Certo: “Esse sintoma pode ter várias causas. Se durar mais de alguns dias, procure avaliação médica.”
- Errado: “Use o meu cupom na loja X.” Certo: não indique marca; explique o critério de escolha do produto.
Checklist: antes de publicar qualquer post
Use esta lista como passo a passo antes de apertar “compartilhar”:

- A bio mostra nome, MÉDICO(A), CRM/UF e, se for o caso, especialidade com RQE?
- O post educa ou informa algo útil, sem enaltecer a sua atuação?
- Existe alguma palavra de promessa (“garantido”, “definitivo”, “sem dor”, “100%”)? Remova.
- Há superlativo ou comparação com colegas (“o melhor”, “referência nº 1”, “único”)? Remova.
- Aparece paciente? Se sim, ele está anônimo e há autorização escrita com finalidade e abrangência?
- É antes e depois? Siga todas as condições do art. 14, II, ou não publique.
- Tem preço? Só da consulta. Preço de procedimento, não.
- Tem marca, cupom, sorteio ou brinde? Não publique.
- É repost de elogio? Confira se não passou de dois no semestre e se o tom é sóbrio.
- O equipamento ou medicamento citado tem registro na Anvisa?
Se você ainda está montando a linha editorial, o guia Instagram médico: o que postar traz ideias, bio e calendário dentro dessas regras.
Na dúvida, fale com a Codame e leve o paciente para um canal seu
Quando um post estiver na zona cinzenta, a própria resolução garante o direito de consultar a Codame do seu CRM (art. 13, V). Fazer a consulta por escrito e guardar a resposta é o caminho mais seguro. Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica. Casos específicos merecem a análise da Codame ou de um advogado.
Cumprir as regras é o piso. O passo seguinte é fazer o Instagram levar o paciente para um lugar onde ele encontre tudo organizado: quem você é, CRM, RQE, endereço, valor da consulta e o botão de agendamento. Um site para médicos com domínio .com.br próprio cumpre esse papel e não depende do algoritmo. Para ver como o Instagram se encaixa nos outros canais, leia o guia de marketing para médicos.
Perguntas frequentes
Médico pode postar selfie no Instagram?
Sim. O art. 8º, III da Resolução CFM 2.336/2023 permite selfie, imagens e áudios, desde que sem sensacionalismo ou concorrência desleal. A selfie com paciente reconhecível, na leitura mais segura, deve ser evitada, porque o art. 75 do Código de Ética Médica veda exibir pacientes reconhecíveis.
Médico pode fazer live no Instagram?
Pode fazer live educativa. O que é vedado é transmitir consulta ou procedimento em tempo real (art. 11, VIII). Na live, evite analisar o caso individual de quem pergunta, para não substituir a consulta.
Médico pode divulgar preço no Instagram?
Pode divulgar o valor da consulta e as formas de pagamento (art. 9º, VI). O preço de procedimento não deve ser publicado, conforme o comentário oficial ao art. 9º, VII.
Stories precisam seguir a resolução do CFM?
Sim. O art. 6º diz que conteúdos temporários seguem as mesmas regras. Isso inclui repost de story de paciente, que o Manual limita a no máximo duas vezes por semestre quando for elogio.
O que precisa estar na bio do Instagram do médico?
Nome, a palavra MÉDICO(A), número do CRM com UF e, se especialista, a especialidade com o número do RQE (arts. 4º e 6º). Com pós-graduação sem RQE, use o formato do art. 13, §1º, d, com NÃO ESPECIALISTA em caixa alta.
Leia também
Marketing para autônomos: guia completo para conseguir clientes
17 min de leitura
WhatsApp Business para autônomos: guia com modelos de mensagem
11 min de leitura
Site para autônomo: quando precisa e o que ele deve ter
13 min de leitura
Witley Paulo
Construo e opero os meus próprios negócios digitais — e-commerce, produtos de informação e sistemas com IA — e escrevo aqui o que aprendo operando, não o que li em curso.
Falar comigo →
Empreendedor digital há mais de seis anos. Escreve sobre o que usa na prática para vender pela internet: sites, tráfego, produtos digitais e IA.
Conhecer a história →