Médico pode postar antes e depois? O que diz a Resolução CFM 2.336/2023
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Neste artigo · 9 partes
- O que a Resolução CFM 2.336/2023 diz sobre antes…
- As condições obrigatórias, uma a uma
- O que continua proibido no antes e depois
- Como montar um carrossel de antes e depois dentro…
- Exemplos de legenda: certo × errado
- Termo de autorização e anonimato do paciente
- Checklist antes de publicar um antes e depois
- Antes e depois dentro de uma estratégia maior
- Perguntas frequentes
Sim, o médico pode postar antes e depois, mas só em formato educativo. A Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, permite usar imagens de pacientes para demonstrar resultados de técnicas e procedimentos (art. 14, II). O post precisa vir com texto educativo, mostrar um conjunto de casos com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, preservar o anonimato do paciente e ter autorização documentada.
O que continua proibido é a foto isolada e “vendedora”: uma imagem de resultado bonito, sem contexto, sem riscos, com filtro ou com o rosto do paciente reconhecível. Em outras palavras, o CFM liberou o antes e depois como aula, não como vitrine. Abaixo você encontra as condições uma a uma, um passo a passo para montar o carrossel, exemplos de legenda certa e errada e um checklist para conferir antes de publicar.
Resumo rápido
- Sim, o médico pode postar antes e depois, mas só em formato educativo (art. 14, II da Resolução CFM 2.336/2023).
- O post precisa de texto educativo com indicação, fatores que influenciam o resultado e complicações.
- O conjunto deve mostrar evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, com ao menos quatro pacientes.
- É proibido identificar o paciente e editar, manipular ou melhorar as imagens.
- A autorização do paciente deve ser um documento firmado, com finalidade e abrangência.
O que a Resolução CFM 2.336/2023 diz sobre antes e depois
A regra está no art. 14. Ele autoriza o uso de imagens de pacientes, ou de bancos de imagens, com finalidade educativa em duas situações: material sobre doenças, procedimentos, sinais e sintomas (inciso I) e demonstração de resultados de técnicas e procedimentos (inciso II). É no inciso II que mora o antes e depois.
O CFM liberou o antes e depois como aula, não como vitrine.
A própria página de perguntas e respostas do CFM resume a questão com uma frase curta: “Sim, mas de forma educativa”. E descreve o formato esperado em quatro etapas:
- apresentação da enfermidade ou da indicação;
- fotos de antes, com casos similares;
- fotos depois da intervenção;
- descrição de possíveis resultados insatisfatórios e complicações.
Essa mudança é importante porque, antes de 2024, a regra antiga era lida pela maioria dos CRMs como uma proibição. Por isso ainda circulam textos de conselhos regionais e de blogs explicando “por que o médico não pode postar antes e depois”. Eles falam de uma norma revogada. Hoje vale a 2.336/2023 e o Manual de Divulgação de Assuntos Médicos, que o art. 2º torna de cumprimento obrigatório.
As condições obrigatórias, uma a uma
O art. 14, II lista as condições em alíneas. Vale ler cada uma com atenção, porque um post que cumpre quatro de cinco continua irregular.

Texto educativo com indicação, fatores e complicações
A imagem precisa vir acompanhada de “texto educativo contendo indicações terapêuticas, fatores que influenciam possíveis resultados e complicações” (art. 14, II, a). A legenda não é enfeite: é parte obrigatória da peça.
Conjunto de imagens, não uma foto solta
As demonstrações de antes e depois “devem ser apresentadas em um conjunto de imagens contendo indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações” (art. 14, II, b). O comentário oficial do Manual (cap. IX) acrescenta que o conjunto deve ter “ao menos quatro diferentes pacientes” em cada etapa.
Biotipos, idades e tempo de evolução
A alínea c pede a evolução em diferentes biotipos e faixas etárias, com evolução imediata, mediata e tardia. A ideia é mostrar ao público o que realmente acontece com pessoas diferentes ao longo do tempo, e não só o melhor caso da semana.
Anonimato e proibição de identificar o paciente
É “vedado uso de imagens de procedimentos que identifique o paciente” (art. 14, II, e). Para o banco de imagens do próprio médico, a alínea i exige autorização do paciente, respeito ao pudor e à privacidade e a garantia do anonimato.
Nenhuma edição que melhore o resultado
A alínea f é direta: “é vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens”. O Manual permite apenas “recortar, adequar luz e nitidez ou adicionar tarjas”, desde que isso não distorça o resultado.
Origem citada no caso de banco de imagens
Se a imagem vier de um banco de imagens, “deve ser citada sua origem” (art. 14, II, h).
O que continua proibido no antes e depois
Além de descumprir as condições acima, alguns erros aparecem com frequência e merecem atenção especial:

- Foto isolada de resultado. Na leitura mais segura, uma única dupla de fotos, sem texto educativo, sem complicações e sem o conjunto de casos, está fora da norma.
- Filtro, retoque ou “ajuste” de pele. Qualquer melhoramento é vedado pela alínea f.
- Rosto, tatuagem ou detalhe que identifique o paciente. Além do art. 14, o Código de Ética Médica, art. 75, veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis, mesmo com autorização.
- Legenda que promete resultado. O art. 11, XII proíbe “garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento”.
- Montagem sedutora. O art. 11, §2º, f classifica como sensacionalismo usar “de forma abusiva, enganosa ou sedutora representações visuais” que induzam percepção de garantia de resultado. Música de “transformação”, zoom dramático e setas de impacto caminham nessa direção.
- Imagem criada ou alterada por inteligência artificial. Na leitura mais segura, um antes e depois gerado ou retocado por IA esbarra na proibição de manipulação. A Res. CFM 2.454/2026 reforça que o uso de IA com finalidade publicitária deve observar as normas de publicidade médica (art. 7º, §3º).
Vale lembrar também o art. 11, VIII, que proíbe expor imagens de consultas e procedimentos transmitidas em tempo real. Antes e depois é resultado documentado, não bastidor ao vivo do procedimento.
Leia tambémMarketing para autônomos: guia completo para conseguir clientesComo montar um carrossel de antes e depois dentro da regra
O formato que melhor encaixa nas exigências é o carrossel (ou uma página no site com a mesma estrutura). Um roteiro prático:

- Capa com o tema, não com o resultado. Exemplo: “Cicatriz de acne: quando o tratamento a laser é indicado”. Evite a foto mais impressionante na capa.
- Slide da indicação. Para quem o procedimento é indicado, para quem não é, e quais fatores influenciam o resultado (idade, tipo de pele, hábitos, adesão ao tratamento).
- Slides de antes, com casos similares. Pelo menos quatro pacientes diferentes, variando biotipo e faixa etária, sem identificação.
- Slides de depois, com o tempo indicado. Evolução imediata, mediata e tardia, sempre com a mesma luz e o mesmo enquadramento do antes.
- Slide de resultados insatisfatórios e complicações. O que pode dar errado, com que tipo de caso e o que é feito nessas situações. Este slide é obrigatório, não opcional.
- Fechamento educativo e identificação. Uma frase sóbria convidando a pessoa a buscar avaliação, e os dados do art. 4º: nome, a palavra MÉDICO, CRM e, se for especialista, a especialidade com RQE.
Se o carrossel não comporta tudo, divida o tema em uma série ou publique a versão completa no site e use o Instagram para o resumo educativo com link. Um site próprio com uma página por procedimento, com indicações, riscos e perguntas frequentes, é o lugar natural para esse tipo de conteúdo; o modelo de site para médicos já prevê esse tipo de página.
Exemplos de legenda: certo × errado
A legenda é onde a maioria dos posts de antes e depois vira infração. Compare:
| Errado | Certo | Por quê |
|---|---|---|
| "Resultado garantido em 30 dias" | "Evolução de quatro pacientes em 30, 90 e 180 dias" | Art. 11, XII veda prometer resultado |
| "O melhor resultado da cidade" | "Casos satisfatórios e dois abaixo do esperado" | Superlativo é autopromoção |
| "Sem dor, sem cicatriz, sem riscos" | "Complicações possíveis: manchas, assimetria, infecção" | O texto precisa trazer complicações |
| "Antes e depois da Joana, 34 anos" | "Identidade preservada, com autorização documentada" | O paciente não pode ser identificado |
- Errado: “Olha essa transformação! Resultado garantido em 30 dias. Agende já a sua.”
Certo: “Evolução de quatro pacientes com a mesma indicação, em 30, 90 e 180 dias. Os resultados variam conforme idade, tipo de pele e adesão aos cuidados.” - Errado: “Mais uma paciente feliz com o melhor resultado da cidade.”
Certo: “Neste conjunto estão casos com evolução satisfatória e dois casos com resultado abaixo do esperado, explicados no último slide.” - Errado: “Sem dor, sem cicatriz, sem riscos.”
Certo: “Complicações possíveis: manchas temporárias, assimetria e infecção. Por isso a avaliação individual vem antes de qualquer indicação.” - Errado: “Antes e depois da Joana, 34 anos, que veio de Campinas.”
Certo: “Paciente do banco de imagens do consultório, com autorização documentada e identidade preservada.”
Expressões como “o melhor”, “resultado garantido”, “sem dor” e “natural 100%” devem sair de vez do vocabulário, também em títulos de página e anúncios. A lista completa do que evitar nas redes está no guia sobre o que médico pode postar no Instagram.
Termo de autorização e anonimato do paciente
A autorização não pode ser verbal nem uma troca de mensagens informal. O Manual pede um “documento firmado onde esteja explícita a autorização do paciente quanto ao uso de sua imagem, assim como a finalidade e abrangência”. Na prática, o termo deve dizer:
- quais imagens serão usadas e de quais regiões do corpo;
- para que serão usadas (demonstração educativa de resultado);
- onde serão publicadas (site, Instagram, outras redes, aulas);
- como o anonimato será garantido;
- como o paciente pode retirar a autorização daqui para frente.
Mesmo com termo assinado, a autorização não libera mostrar o rosto ou qualquer traço que torne o paciente reconhecível, por causa do art. 75 do Código de Ética Médica. Há um modelo comentado no artigo sobre termo de consentimento para uso de imagem do paciente, que também trata da LGPD. O modelo é ponto de partida: vale revisar com um advogado antes de usar.
Um cuidado paralelo: repostar a foto que o próprio paciente publicou, com elogio ao resultado, é outro assunto, regido pelo art. 8º e com limite de frequência. Os detalhes estão no texto sobre depoimento de paciente.
Checklist antes de publicar um antes e depois
Use esta lista como revisão final. Se alguma resposta for “não”, o post ainda não está pronto.
- O post tem texto educativo com indicação, fatores que influenciam o resultado e complicações?
- Há pelo menos quatro pacientes diferentes em cada etapa?
- O conjunto mostra evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações?
- Os casos variam em biotipo e faixa etária, com evolução imediata, mediata e tardia?
- Nenhuma imagem foi editada além de recorte, luz, nitidez ou tarja?
- Nenhum paciente pode ser reconhecido (rosto, tatuagem, joia, cenário, nome)?
- Existe termo assinado com finalidade e abrangência para cada paciente?
- Se alguma imagem é de banco de imagens, a origem está citada?
- A legenda está livre de promessa, superlativo e “resultado garantido”?
- Nome, a palavra MÉDICO, CRM e, se houver, especialidade com RQE aparecem na peça?
Dúvidas de caso concreto, como uma especialidade em que o conjunto de quatro pacientes é difícil de reunir, podem ser levadas à Codame do seu CRM: o art. 13, V garante ao médico o direito de consultá-la. Fazer a consulta por escrito e guardar a resposta é a forma mais tranquila de trabalhar.
Antes e depois dentro de uma estratégia maior
Um bom carrossel de antes e depois educa, mas ele é só uma peça. O que sustenta a presença do médico ao longo do tempo é a combinação de conteúdo educativo, perfil completo com os dados obrigatórios, informação clara sobre como agendar e um site que reúna tudo isso. Se você está organizando essa estrutura agora, o guia de marketing para médicos mostra como encaixar cada canal sem sair das regras do CFM.
Por fim, lembre que este texto explica a norma, mas não substitui orientação jurídica. Em situações específicas, confirme com a Codame do seu CRM ou com um advogado da área.
Perguntas frequentes
O CFM liberou o antes e depois?
Sim, com condições. A Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, permite imagens de pacientes para demonstrar resultados de técnicas e procedimentos (art. 14, II), desde que o conteúdo seja educativo, mostre um conjunto de casos com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações e preserve o anonimato.
Quantos pacientes precisam aparecer no antes e depois?
O comentário oficial do Manual de Divulgação de Assuntos Médicos pede ao menos quatro pacientes diferentes em cada etapa, com diferentes biotipos e faixas etárias e evolução imediata, mediata e tardia.
Posso usar filtro ou retocar a foto de antes e depois?
Não. O art. 14, II, f veda qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens. O Manual admite apenas recortar, ajustar luz e nitidez ou adicionar tarjas, sem distorcer o resultado.
Com autorização do paciente posso mostrar o rosto?
Não. A resolução exige anonimato (art. 14, II, e e i) e o Código de Ética Médica, art. 75, veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis, mesmo com autorização.
Uma foto isolada de antes e depois no Instagram é permitida?
Na leitura mais segura, não. Sem texto educativo, sem complicações e sem o conjunto de casos, o post fica fora das condições do art. 14, II. Em caso de dúvida, consulte a Codame do seu CRM.
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Witley Paulo
Construo e opero os meus próprios negócios digitais — e-commerce, produtos de informação e sistemas com IA — e escrevo aqui o que aprendo operando, não o que li em curso.
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